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A maior parte dos textos aqui citados (por razões óbvias) não tem a autorização prévia dos seus legítimos proprietários. Entretanto, o uso neste blogue deve-se apenas a razões estritamente culturais e de divulgação, sem nenhum objetivo comercial, de usurpação de autoria e muito menos de plágio. A administradora do ARMADILHAS DO TEMPO pretende apenas expressar a sua admiração pessoal pelas obras e pelos autores citados, julgando assim contribuir para a divulgação da arte, da literatura e da poesia em particular. A ADMINISTRAÇÃO DO ARMADILHAS DO TEMPO respeitará inteiramente a vontade de qualquer autor que legitimamente manifeste a vontade de retirar qualquer texto aqui postado.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

APENAS AMO...

O amor não escolhe.
O amor não tem opções.
Na maioria das vezes ele apenas ama!
O amor.
O que é o amor?
Uns á de dizer que é um sentimento.
Outros, algo forte!
Tem aqueles que até arriscam dizendo: é um grande dor!
Eu não sei. 
Porque hoje amo de uma forma que não quero mais amar!
Sinto que apesar dele estar comigo é como senão estivesse.
Será que não amo mais?
Amo...sim!
Amo tanto que penso: "Do que vale cultivar um amor se ele não dará frutos"??
Espero pela "perfeição" dos defeitos mais comuns.
Que ironia!!
O amor ele aquece quando está frio.
Ele consola na tristeza. Ele descansa quando estais cansado!
Ele une quando estais sem união.
Hoje eu não escolho.
Eu não tenho opções.
Na maioria das vezes eu apenas amo!! 

JSSampaio

É ISSO, PORRA!!!*

“Pois no sexo não há um ponto de equilíbrio absoluto. Não existe igualdade sexual, não pode haver igualdade sexual, uma igualdade em que as duas partes sejam iguais, em que o quociente masculino e o quociente feminino estejam perfeitamente equilibrados. Não há como negociar de modo medido essa loucura. Não se trata de um acordo de cinqüenta por cento para um, cinqüenta por cento para outro, como numa transação comercial. O que está em jogo aqui é o caos de Eros, a desestabilização radical que é a excitação erótica. Na hora do sexo, todos nós voltamos para a selva. Voltamos para o pântano. O que há é um domínio, um desequilíbrio perpétuo. Você vai excluir o domínio? Você vai excluir a entrega? O domínio é a pederneira, é ele que produz a faísca, que dá início a tudo.”
Ontem, após ler o trecho acima, parte do livro “Animal Agonizante” do gênio Philip Roth: bati sonoras palmas, respirei bem fundo, senti-me compreendido e pensei: “É isso, porra!”.

Philip Roth
fonte : http://www.entendaoshomens.com.br/sexo-e-desigualdade-entre-parceiros/

É PRECISO CHORAR...


É preciso chorar rios para entender que felicidade se constrói aos poucos. A cada dia você vai e alimenta a vida com uma dose de fé, outra de coragem, uma dose generosa de leveza e duas de paciência. E assim, constrói castelos de felicidade. Eles podem durar apenas um dia, mas quando acontecem com a verdade que você depositou, valem uma vida. E compensam todo aquele oceano que você chorou.


 CAMILA HELOISE

sábado, 3 de janeiro de 2015

ME ENSINA

Me ensina como sair do meio de ti sem tantos rasgos, quem sabe, sabes como.
Sabes como arrancar-me às raízes, que ainda pequenas tão fortes, tão cegas, tão apegadas a teu coração quase como tuas artérias às tuas fibras.
Me ensina a cisão, o corte de um jeito que engane a morte, que dela me afaste agora que amor não precisa morrer assim, mas precisa seguir e eu, preciso da vida que achei em ti.
Me ensina outra visão que não seja teu vulto, um susto e uma alegria minha, que me toma o ar, o fôlego a força.
Me ensina a ter o que posso e a deixar o que veio primeiro continuar sua trajetória.
Me ensina uma coisa simples, fechar a porta ao sair, e na absolvição da separação, na embriaguez da brevidade, na certeza da incompletude me sobre algum perdão, alguma graça.
Me ensina a deixar tua história sem nenhuma pausa.
Aprende isso de mim... eu não sei ficar.

Eliana Holtz
GAVETAS POÉTICAS

10 REGRAS DO SER HUMANO




1. Você receberá um corpo. Pode gostar dele ou odiá-lo, mas ele será seu durante essa rodada.
2. Você está matriculado numa escola informal, de período integral, chamada vida. A cada dia, nessa escola, você terá a oportunidade de aprender lições. Você poderá gostar das lições ou considerá-las irrelevantes ou estúpidas
3. Não existem erros, apenas lições. O crescimento é um processo de tentativa e erro: experimentação. As experiências que não dão certo fazem parte do processo, assim como as bem sucedidas.
4. Cada lição será repetida até que seja aprendida. Cada lição será apresentada a você de diversas maneiras, até que a tenha compreendido. Quando isso ocorrer, você poderá passar para a seguinte. O aprendizado nunca termina.
5. Não existe nenhuma parte da vida que não contenha lições. Se você está vivo, há lições para aprender.
6. “Lá” não é melhor do que “aqui”. Quando o seu “lá” se tornar em “aqui”, você simplesmente entenderá que o melhor é viver o “aqui e o agora”.
7. Os outros são apenas seus espelhos. Você não pode amar ou detestar algo em outra pessoa, a menos que isso reflita algo que você ama ou detesta em si mesmo.
8. O que fizer de sua vida é responsabilidade sua. Você tem todos os recursos de que necessita. O que fará com eles é de sua responsabilidade. A escolha é sua.
. As respostas estão dentro de você. Tudo o que tem a fazer é meditar, analisar, ouvir e acreditar.
10. Você se esquecerá de tudo isto!


por Twyla Nitsch – Anciã da tribo Seneca, fundadora e líder do Clã dos Lobos

sábado, 5 de julho de 2014

AMAR COM OS DEDOS


SOBRE HUMORES ÁCIDOS


(Se eu fosse uma fruta seria um morango. Os pontinhos são as sardas. O vermelho é meu rosto quando tenho calor, vinho na cabeça ou vergonha na cara. O gosto é vezes doce, vezes ácido.)
Sou boa gente. Não sei se você concorda ou se sabe disso, mas sou boa gente mesmo. É claro que sou humana, tenho pensamentos que me traem, sinto inveja e tenho preguiça. Na verdade, sou a maior pecadora. Sete pecados capitais? Pratico todos. Nunca roubei ninguém. O máximo que já fiz foi pegar umas moedinhas que meu pai deixava em cima da mesa. Mais nada, eu juro.
Admiro muito quem tem bom humor o dia inteirinho. Não consigo, não é de mim. Uma pequena coisa se transforma em catástrofe no meu dia. Deve ser porque eu tenho expectativas demais, espero demais de mim e dos outros. E me frustro, te frustro, nos frustro.
Meu humor é ácido. Sou irônica, perco a paciência e o interesse em gente que não entende ironias, afinal, não entender ironias é a coisa mais broxante que existe. Tem gente que não gosta desse meu lado. Na verdade, tem gente que não gosta de nenhum lado meu. E agora eu estou entendendo que não tenho obrigação de ser quem todo mundo espera que eu seja. Já dá trabalho ser eu mesma, imagina ser a pessoa que você quer?
Não tenho muito saco para puxadores de saco. Por favor, não puxe meu saco. Por favor, não puxe o saco de ninguém na minha frente. Acho irritante e chato. Não tenho o menor problema em emprestar coisas, sou aquele tipo de gente que sai dando tudo. Por favor, não pense besteira. Gostou da minha bolsa? Pega, leva. Gostou da minha pulseira? Tô tirando, toma aqui. Sou assim. Por isso, muita gente interesseira já se aproximou de mim - o que me deixou rebelde e mais ácida.
Só tenho apego ao que é "meu" emocionalmente. Pode levar minhas coisas materiais. Mas não encosta na minha família, meus amores e amigos. Viro bicho. Protejo. Defendo. Amo. E sinto muito, muito ciúme. Sou ciumenta assumida. Tenho até carteira do Clube das Ciumentas Reunidas. E não acho que isso seja sinal de insegurança ou infantilidade. Como diz minha avó "quem ama cuida"

Por Clarissa Corrêa

CARÊNCIA DE TERRA


Ando farta
De amores desprovidos de estrado,
De sentimentos sem esteio, 
De saudades sem alicerce.
Preciso inventar
Uma janela para fugir do céu
Mesmo que, ao pular,
Eu me transforme
Em meu próprio chão.

POR Nara Rúbia Ribeiro

domingo, 15 de junho de 2014

O ENCONTRO DE DUAS ALMAS


"Duas almas são predestinadas quanto tem uma missão a cumprir juntas, e assim, por ter sido um encontro marcado lá do outro lado, onde pactuaram voltar, para se encontrarem e realizar determinada missão, sendo assim, quando as almas se encontram, tudo pode acontecer, podendo haver a explosão do amor não vivido em outras vidas. Este amor chega sem ter dia marcado ou momento marcado para acontecer. Simplesmente chega, e se instala, criando uma verdadeira orgia de sentimentos alegres, que modificam todos os propósitos e conceitos até então firmados. O encontro de duas almas tem como foco principal, não a aparência física, mas a afinidade entre elas existente, e o que o destino a elas destinou, como o porquê e o quando tudo deve acontecer. Existem momentos de tristeza, causada por uma dúvida que machuca, que gostaria de saber o porquê de não se terem encontrado antes, ainda mais quando o momento desse encontro acontece quando não é mais possível extravasar toda a plenitude do amor que trazem, quando não é mais possível viver a alegria de amar e querer compartilhar a vida com o outro. Enfim, como essas almas se sentem sem a possibilidade de realizar este amor em total plenitude, o que causa um inexplicável sentimento de saudade de algo que não foi vivido. Uma saudade doída de algo vivido em outras vidas, saudade daquilo que poderia ter sido, mas que por alguma razão não o foi. Reconhecem, porém, que não haverá retorno para suas pretensões, e mesmo estando distantes, entendem a alegria, a tristeza, o querer um do outro. Estas almas falam além das palavras, e aliás, delas não precisam, pois se comunicam, se encontram, se amam pelo éter, pelo espaço sideral. São encontros etéricos.Se o reencontro ocorrer no tempo certo, estas almas afins se entrelaçam e buscam a forma de juntas ficarem, num processo contínuo de reaproximação até a consumação do resgate daquilo que vieram cumprir. Se diferente for, se o reencontro ocorre num espaço de tempo diferente do que suas realidades possam permitir, ainda assim estas almas ficam marcadas, e nunca conseguirão se separar, mesmo que os corpos se separem, elas continuarão a se sentir, pois almas que assim se encontram não mais se sentirão sozinhas, pois reconhecerão a necessidade que têm uma da outra para toda a eternidade. São almas que atravessam os tempos, as muitas passagens, buscando o resgate final de seu amor, até que em determinada passagem conseguem cumprir o resgate, tendo então seu descanso final, quando conseguem ter um lindo dia.


Marcial Salaverry(VIA SALA DOS MEDIUNS)

INSENSATEZ



Fabrício Carpinejar

Você me permite ir, você me permite escolher, você é democrática, sensata, elegante, madura, equilibrada, não procura forçar sua opinião, impor sua vontade, você oferece espaço, aguarda, pede que eu reconheça seu valor, sai de perto para não pressionar, chora e sofre distante, recrimina o ciúme e me exclui.

Desculpa. Mas amor não é justiça, amor não é julgamento, amor não é consciência, amor não é controle.

Amor é um filho da p. da insistência, é manter-se perto, próximo, junto, grudado, até que o entendimento da vida estale.

Não é se afastar, não é facilitar o trabalho dos outros se afastando. Não é exigir que venha agora ou nada, que venha inteiro ou nada. Diante do extremismo, sempre ficaremos com nada.

Partilho da crença de que o provisório é tudo.

Pode vir pela metade, fragmentada, dividida, um terço de si, uma parcela, que eu aceito e completo. Eu lhe quero do jeito que der, do jeito que for.

Pode vir confusa, em crise, indecisa, ambígua, que logo unifico seus receios.

Não confio na saudade, confio na presença. A saudade só adoça o arrependimento.

Eu não saúdo a saudade. Eu dou a porta de saída para a saudade.

É com a convivência que vou mostrar que sou o melhor para seu temperamento, que sou também o pior, que sou o que espera, e sou também o que não espera, que sou sua alegria e também sua desordenada raiva, que sou seu encantamento e também sua decepção, que sou o centro de seus dias e também as margens de suas noites.

Não serei educado para deixá-la em paz. Nunca. Amor quando dói é mal-educado. Falarei excessivamente, farei sinais e gestos passionais, tremerei mais do que copo de morto - terá o que se lembrar de mim.

Não finja que deseja meu bem. Não há bem com a distância. Deseje meu mal, mas deseje que eu seja seu.

Aquele que é o nosso maior erro costuma ser o grande amor de nossa vida.

Da série "Ficções do Amor"

quinta-feira, 1 de maio de 2014

APENAS UM SONHO




Entre os apelos da carne e o prazer dos fluídos, foi no meu corpo  despido  que o seu encontrou o abrigo.  Entre os afagos contidos por desejos imagináveis, foi nos meus braços  que você  se aqueceu e gostou do que fez e deixou fazer.

Pelas lembranças que traz, por trás dos apelos sonoros rompendo o silêncio da noite, em meio aos lençóis perfumados  macios, foi comigo que esteve, sorriu  e gemeu.  E nem sei se vale dizer da surpresa, da intensidade dos gestos. Nem sei se eu soube dosar a carícia além daquilo que quis ou se quis mais ainda por te ver tão feliz. 

Mais que carinho, os sussurros,  aromas... Muito mais do que a intensidade do ato, foi a contundência do sentir que causou em você tanto espanto. O sentimento, o gostar, o querer...

E eu daqui de olhos fechados, precisando sonhar também só para saber o porquê de te fazer  tão feliz. Querer olhar para você assim como se olham os amantes após o gozo e absorver a energia do carinho, sentir o que só você desfrutou.


Estar presente no sonho de alguém. Satisfazer o instinto e a emoção. Causar um tesão difícil de admitir.  Esquecer-se das condutas morais, das regras sociais e simplesmente  sentir a poesia, a essência dos corpos e dos desejos a flor da pele.  O  que nos causamos  de bom e ousamos dizer. Todo isso traz a leveza da poesia que em mim brota sempre que enfrento  e empresto o sentir alheio. 

Nem sei se é errado nem quero saber.  Agora sou poeta  e peço que chegue perto de mim como no sonho. Perto o suficiente  para um leve toque no rosto, um afago nos lábios , a carícia do olhar, um sussurro  despido de qualquer pudor a dizer para você: QUE PENA QUE FOI SÓ UM SONHO..

TALVEZ...


Talvez eu queira me alimentar de você. Da energia, do seu sonho aquilo que te fez feliz. Sou assim, seu vampiro emocional. Só apareço à noite, pois os dias deixam exposto aquilo que quero e não posso viver. O dia dissolve meu sonho e fico assim vagando. na realidade. Na rotina nem sempre cansativa, porém, imutável.

 Talvez eu seja a criança sonhando com um brinquedo novo, aquele bonito, que só se ganha em ocasiões especiais. Aquele que o amigo tem e você teve que esperar muito para conseguir. Então, dizem por aí, que o que se espera muito tem maior valor e por isso devemos ter mais apreço. Não acredito nessa quase tradição de conquistas sofridas e longas esperas, embora dispense grande consideração por quem desbrava terrenos desconhecidos. 

Seu sonho é o meu brinquedo. Uma diversão que vai durar por muito tempo. E porque vou cuidar muito bem, não vai quebrar, nem gastar, nem ficar esquecido no canto dos brinquedos sem uso .

O bom desse sonho brinquedo é que não tive que esperar. Foi  uma surpresa, um agrado especial que iluminou meu dia. Não fiz nenhum esforço e mesmo assim tem o valor das grandes conquistas. 

Para você, talvez, seja o terreno desconhecido, a magia que pode causar a descoberta. Desbravar, adentrar e morar. 

Ah... Talvez um sonho seja aquilo que motiva a alma a ir além daquilo que é permitido pelas normas sociais. Assusta,  porque,  não raro, foge da regra  e nos coloca de frente para para aquilo que pensamos nunca ter sentido.  E aí também temos que enfrentar nosso pudor, nosso preconceito. Assusta porque agrada. Assusta por ter reciprocidade no querer, no gostar...  Assusta por ser sincero, direto e possível, ainda que inviável.

Além do sonho, existe o que vai no do coração de cada um. O que vai no pensar de cada um. A eterna divergência entre a razão e a emoção não dá tréguas quando decide ir adiante. Se há oposição no pensar, nada impede que haja afinidade no querer. O sonho não faz perguntas, talvez nos deixe muitas respostas e uma imensidade de dúvidas que jamais serão sanadas. Por isso, a energia do seu sonho fez vibrar  o  coração,  irrigando toda a emoção que minha poesia precisa para viver. É assim que eu também sempre consigo o que eu quero, mesmo que seja pela alegria de um sonho dado como um presente que eu nunca esperei receber.

POR MÁRCIA TOITO
EM  30/04/20014

quinta-feira, 20 de março de 2014

A TEMPO

Ainda vou a tempo de te pedir desculpa pelas coisas que te disse quando estava zangada? 

Perdi toda a razão, ao perder a cabeça e permitir que o bicho ferido, aninhado cá dentro, deitasse as garras de fora para afastar outra agressão. Que é sempre a mesma. Tu atropelas-me. E nem notas.

Da pior forma possível, quis travar-te e embatemos os dois. Um no outro.
Desculpa. Já andei tanto, já parei tanto, já ressuscitei tanto e não fui capaz de ser melhor que tu. Talvez depois de ti, eu diga também " já me cansei tanto."
É que nunca esteve bem aceitar-te porque " tu és assim" e resignar-me à esperança de um dia seres de outra maneira. Nunca esteve bem ignorar os problemas e remata-los com um " não vale a pena " que valia essa pena e valia muito mais coisas.
Nunca esteve bem o segundo lugar...

Quando se ama, partilham-se todos os lugares, sobretudo os mais nossos, onde deixa de ser preciso estar sempre a bater à porta ou pedir autorização para entrar.

Era assim que gostava de te ter dito que me senti sempre do lado de fora, a pedir-te que te juntasses a mim.

E Tu?


IDOMIND MARIA
VIA E TU?

https://www.facebook.com/pages/E-tu/456026877804999?fref=ts

DO CORAÇÃO PARA DENTRO



POR MÁRCIA TOITO

Podemos dizer coisas sem pensar a todo tempo porque os atropelos da vida quase sempre detonam nossas energias fazendo com que o falar fique mais acelerado do que o pensar e aí a coisa complica. Complica porque não raro dizemos que amamos, que sentimos falta ou bem o contrário, que estamos de saco cheio, cansados, sem forças... Queremos ficar sozinhos. Depois com mais calma dizemos: Foi da boca pra fora, falei sem pensar. O resultado todos conhecem, corações partidos por engano de apreço ou por desapego imprudente.
Mas, enquanto o falar pode ser da boca para fora, escrever é do coração para dentro. Para dentro de quem leu e de quem escreveu. Por mais simples que seja o texto, escrever exige elaboração do pensamento. Não da para dizer " Escrevi sem pensar" Escrever é puro pensamento e quase sempre puro sentimento mesmo quando as palavras soam friamente aos olhos de quem leu. Se você ler "eu quero ficar sozinho", "eu odeio tal coisa", considere como verdade porque tem gente tentando ir além do que é dito da boca para fora.
Entretanto, quando alguém ESCREVER "que sente sua falta", "que tem muito carinho por você", "que quer te ver feliz"." Que sempre pensa em você de um jeito bom" "Que é difícil ficar longe" que em vários momentos do dia teve vontade de te ver ou telefonar para diminuir a a saudade, por favor, ACREDITE! Ninguém nunca conseguiu escrever sem pensar.

POR MÁRCIA TOITO
EM 13/03/2014

domingo, 15 de setembro de 2013

A COR DA FANTASIA



Não tenha medo
Tudo o que absolve um dia fez juízo
A culpa não nasce nua
Fantasiada ela se cria
Absorta em prejuízos
Calvários só servem aos sados-masoquistas
Carnaval é o mesmo que quaresma
O que muda é a direção da dor
E a cor da fantasia

Samuel Giacomelli

sábado, 7 de setembro de 2013

PRAGUINHAS

A vida deveria ser tão simples...
Vai ver é mesmo e a densidade dos sentimentos é que complica tudo. Queria saber cultivar só os puros. Mas as sementes vêm todas misturadas e nem sempre consigo fazer florescer apenas as boas. 
Erva daninha cresce sem precisar de cultivo, já as sementes de flores e frutos exigem um cuidado maior. 
Por isso vez ou outra me vejo entre as pragas sentimentais, sem conseguir usufruir das boas sementes que cultivo com tanto carinho.
Eu já não sei se alcançamos as coisas ou as coisas nos alcançam. Ando as voltas com uma saudade sem fim, que vez em quando incomoda,assim como as pragas num jardim.Sei que posso ir aonde quiser... Mas não antes de arrancar as praguinhas.


MÁRCIA TOITO

quinta-feira, 25 de julho de 2013

PONTO DE SATURAÇÃO

POR VINÍCIUS LINNÉ


As dores em mim não explodem subitamente. Não sou dado sempre a ações e reações. Preciso ser mais sutil do que isso. Eu acumulo não dizeres, vou somando desaforos, pequenas intempéries, minhas chuvas e tempestades de sol. Eu vou guardando tudo até sedimentar. Até acumular. Até que a saturação se dê por completo.

Eu evito os sinais prévios, os barulhos pequenos das rachaduras, eu evito demonstrar no sorriso triste qualquer marca do que por dentro se passa. Quando estou farto já é tarde. Quando estouro, eu estouro de vez.

E daí não meço palavras ou danos. Não perco tempo e não poupo sofrimento. Quando é minha vez, é minha vez. Quando eu quero fazer doer, eu sei fazer doer. E não em doses pequenas, não com uma tortura moderada e imorredoura. Eu uso toda maldade que se acumulou no meu corpo, todo veneno que encharcou meus ossos, todo fel que já não flui junto com o sangue. 

Enquanto sofro não mio. Em compensação, quando ataco, mato.


A T E N Ç Ã O


Não esqueça das fontes!

Qualquer cópia sem referências estará sujeita às medidas cabíveis.

Este texto é propriedade de Vinícius Linné e foi retirado do site: http://anjomaldito.blogspot.com/search?updated-max=2013-01-03T14:14:00-08:00&max-results=7&start=14&by-date=false#ixzz2a6TAA4ef
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

domingo, 14 de julho de 2013

O APAIXONADO JAMAIS ADIA ENCONTRO

 
 Quem está apaixonado não desmarca encontro.

...
Cancela trabalho, família, viagem, mas não suspende compromisso.

Assume prejuízo, enfrenta chefia, suporta calado todos os dissabores, mas não abre mão. Não nega o que foi firmado.

Mesmo que tenha trocado o mês ou se confundido com a data, assume o erro como acerto e segue em frente. Troca de turno com colega, compra amigos, arruma atestado médico.

Quem está apaixonado jamais desmarca encontro. Nem altera horário. Não tem coragem de pedir para que seja mais cedo ou mais tarde. Não é capaz de reivindicar 10 minutos a mais ou a menos. Não mexe no assunto. Não adapta planos. Não negocia prazos.

Aceita a data como um desígnio. Uma audiência de Justiça. Uma convocação da Receita Federal. Se não for, tem a sensação de que será preso, condenado por esnobar o amor.

Não brinca com a autoridade do encontro. Receia que não aconteça de novo, não arrisca zombar do destino. Não oferece chance ao azar. Teme um imprevisto, penteia o calendário, apressa o relógio e o coração.

Vive o transe de ser feliz, a hipnose de não pensar em um segundo plano.

Quem está apaixonado não arranja desculpa, inventa saídas.

Quem está apaixonado não se presta a solicitar fiado, paga à vista.

Só aquele que realmente não sente saudade é que adia encontro. Se o café é sempre postergado é que falta vontade.

Adiar compromisso é sinal de desamor. Não precisa de mais nenhuma prova. Não há aquele interesse máximo, aquela tara, aquela dependência.

O sujeito pode ter uma justificativa nobre: imposição do emprego, doença, tragédia. Nenhum pretexto servirá para remendar a esperança.

Não se mexe em encontro entre apaixonados. Deixa para adoecer depois, deixa para morrer depois.

Se alguém liga para reagendar sacrificou a paixão. É aviso fúnebre, é velório da voz. Significa que não está realmente a fim. Demonstra que tem um interesse passageiro, efêmero, pouco sério.

O apaixonado enlouquece com a simples hipótese de não ver mais o outro. Não vai estragar a importância do enlace, diminuir a expectativa, mostrar desapego.

Eu fiquei imensamente eufórico ao lembrar que nunca desmarquei nada com minha mulher, Juliana.

Fui me gabar para ela:

- Amor, jamais cancelamos nenhum encontro entre nós, não é legal?

Juliana me analisou com desconfiança:

- Fabrício, a gente só teve um encontro e não mais nos desgrudamos.

Eu percebi que a tática para não sofrer com atrasos e remanejos é permanecer junto desde o primeiro beijo. E não se soltar mais.

Foi o que eu e Juliana fizemos.

A paixão é um sequestro. O amor é quando pagamos o resgate.

Publicado no jornal
Zero Hora
Coluna semanal, Revista Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 14/07/2013 Edição N° 17491