quinta-feira, 20 de março de 2014

A TEMPO

Ainda vou a tempo de te pedir desculpa pelas coisas que te disse quando estava zangada? 

Perdi toda a razão, ao perder a cabeça e permitir que o bicho ferido, aninhado cá dentro, deitasse as garras de fora para afastar outra agressão. Que é sempre a mesma. Tu atropelas-me. E nem notas.

Da pior forma possível, quis travar-te e embatemos os dois. Um no outro.
Desculpa. Já andei tanto, já parei tanto, já ressuscitei tanto e não fui capaz de ser melhor que tu. Talvez depois de ti, eu diga também " já me cansei tanto."
É que nunca esteve bem aceitar-te porque " tu és assim" e resignar-me à esperança de um dia seres de outra maneira. Nunca esteve bem ignorar os problemas e remata-los com um " não vale a pena " que valia essa pena e valia muito mais coisas.
Nunca esteve bem o segundo lugar...

Quando se ama, partilham-se todos os lugares, sobretudo os mais nossos, onde deixa de ser preciso estar sempre a bater à porta ou pedir autorização para entrar.

Era assim que gostava de te ter dito que me senti sempre do lado de fora, a pedir-te que te juntasses a mim.

E Tu?


IDOMIND MARIA
VIA E TU?

https://www.facebook.com/pages/E-tu/456026877804999?fref=ts

DO CORAÇÃO PARA DENTRO



POR MÁRCIA TOITO

Podemos dizer coisas sem pensar a todo tempo porque os atropelos da vida quase sempre detonam nossas energias fazendo com que o falar fique mais acelerado do que o pensar e aí a coisa complica. Complica porque não raro dizemos que amamos, que sentimos falta ou bem o contrário, que estamos de saco cheio, cansados, sem forças... Queremos ficar sozinhos. Depois com mais calma dizemos: Foi da boca pra fora, falei sem pensar. O resultado todos conhecem, corações partidos por engano de apreço ou por desapego imprudente.
Mas, enquanto o falar pode ser da boca para fora, escrever é do coração para dentro. Para dentro de quem leu e de quem escreveu. Por mais simples que seja o texto, escrever exige elaboração do pensamento. Não da para dizer " Escrevi sem pensar" Escrever é puro pensamento e quase sempre puro sentimento mesmo quando as palavras soam friamente aos olhos de quem leu. Se você ler "eu quero ficar sozinho", "eu odeio tal coisa", considere como verdade porque tem gente tentando ir além do que é dito da boca para fora.
Entretanto, quando alguém ESCREVER "que sente sua falta", "que tem muito carinho por você", "que quer te ver feliz"." Que sempre pensa em você de um jeito bom" "Que é difícil ficar longe" que em vários momentos do dia teve vontade de te ver ou telefonar para diminuir a a saudade, por favor, ACREDITE! Ninguém nunca conseguiu escrever sem pensar.

POR MÁRCIA TOITO
EM 13/03/2014

domingo, 15 de setembro de 2013

A COR DA FANTASIA



Não tenha medo
Tudo o que absolve um dia fez juízo
A culpa não nasce nua
Fantasiada ela se cria
Absorta em prejuízos
Calvários só servem aos sados-masoquistas
Carnaval é o mesmo que quaresma
O que muda é a direção da dor
E a cor da fantasia

Samuel Giacomelli

sábado, 7 de setembro de 2013

PRAGUINHAS

A vida deveria ser tão simples...
Vai ver é mesmo e a densidade dos sentimentos é que complica tudo. Queria saber cultivar só os puros. Mas as sementes vêm todas misturadas e nem sempre consigo fazer florescer apenas as boas. 
Erva daninha cresce sem precisar de cultivo, já as sementes de flores e frutos exigem um cuidado maior. 
Por isso vez ou outra me vejo entre as pragas sentimentais, sem conseguir usufruir das boas sementes que cultivo com tanto carinho.
Eu já não sei se alcançamos as coisas ou as coisas nos alcançam. Ando as voltas com uma saudade sem fim, que vez em quando incomoda,assim como as pragas num jardim.Sei que posso ir aonde quiser... Mas não antes de arrancar as praguinhas.


MÁRCIA TOITO

quinta-feira, 25 de julho de 2013

PONTO DE SATURAÇÃO

POR VINÍCIUS LINNÉ


As dores em mim não explodem subitamente. Não sou dado sempre a ações e reações. Preciso ser mais sutil do que isso. Eu acumulo não dizeres, vou somando desaforos, pequenas intempéries, minhas chuvas e tempestades de sol. Eu vou guardando tudo até sedimentar. Até acumular. Até que a saturação se dê por completo.

Eu evito os sinais prévios, os barulhos pequenos das rachaduras, eu evito demonstrar no sorriso triste qualquer marca do que por dentro se passa. Quando estou farto já é tarde. Quando estouro, eu estouro de vez.

E daí não meço palavras ou danos. Não perco tempo e não poupo sofrimento. Quando é minha vez, é minha vez. Quando eu quero fazer doer, eu sei fazer doer. E não em doses pequenas, não com uma tortura moderada e imorredoura. Eu uso toda maldade que se acumulou no meu corpo, todo veneno que encharcou meus ossos, todo fel que já não flui junto com o sangue. 

Enquanto sofro não mio. Em compensação, quando ataco, mato.


A T E N Ç Ã O


Não esqueça das fontes!

Qualquer cópia sem referências estará sujeita às medidas cabíveis.

Este texto é propriedade de Vinícius Linné e foi retirado do site: http://anjomaldito.blogspot.com/search?updated-max=2013-01-03T14:14:00-08:00&max-results=7&start=14&by-date=false#ixzz2a6TAA4ef
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

domingo, 14 de julho de 2013

O APAIXONADO JAMAIS ADIA ENCONTRO

 
 Quem está apaixonado não desmarca encontro.

...
Cancela trabalho, família, viagem, mas não suspende compromisso.

Assume prejuízo, enfrenta chefia, suporta calado todos os dissabores, mas não abre mão. Não nega o que foi firmado.

Mesmo que tenha trocado o mês ou se confundido com a data, assume o erro como acerto e segue em frente. Troca de turno com colega, compra amigos, arruma atestado médico.

Quem está apaixonado jamais desmarca encontro. Nem altera horário. Não tem coragem de pedir para que seja mais cedo ou mais tarde. Não é capaz de reivindicar 10 minutos a mais ou a menos. Não mexe no assunto. Não adapta planos. Não negocia prazos.

Aceita a data como um desígnio. Uma audiência de Justiça. Uma convocação da Receita Federal. Se não for, tem a sensação de que será preso, condenado por esnobar o amor.

Não brinca com a autoridade do encontro. Receia que não aconteça de novo, não arrisca zombar do destino. Não oferece chance ao azar. Teme um imprevisto, penteia o calendário, apressa o relógio e o coração.

Vive o transe de ser feliz, a hipnose de não pensar em um segundo plano.

Quem está apaixonado não arranja desculpa, inventa saídas.

Quem está apaixonado não se presta a solicitar fiado, paga à vista.

Só aquele que realmente não sente saudade é que adia encontro. Se o café é sempre postergado é que falta vontade.

Adiar compromisso é sinal de desamor. Não precisa de mais nenhuma prova. Não há aquele interesse máximo, aquela tara, aquela dependência.

O sujeito pode ter uma justificativa nobre: imposição do emprego, doença, tragédia. Nenhum pretexto servirá para remendar a esperança.

Não se mexe em encontro entre apaixonados. Deixa para adoecer depois, deixa para morrer depois.

Se alguém liga para reagendar sacrificou a paixão. É aviso fúnebre, é velório da voz. Significa que não está realmente a fim. Demonstra que tem um interesse passageiro, efêmero, pouco sério.

O apaixonado enlouquece com a simples hipótese de não ver mais o outro. Não vai estragar a importância do enlace, diminuir a expectativa, mostrar desapego.

Eu fiquei imensamente eufórico ao lembrar que nunca desmarquei nada com minha mulher, Juliana.

Fui me gabar para ela:

- Amor, jamais cancelamos nenhum encontro entre nós, não é legal?

Juliana me analisou com desconfiança:

- Fabrício, a gente só teve um encontro e não mais nos desgrudamos.

Eu percebi que a tática para não sofrer com atrasos e remanejos é permanecer junto desde o primeiro beijo. E não se soltar mais.

Foi o que eu e Juliana fizemos.

A paixão é um sequestro. O amor é quando pagamos o resgate.

Publicado no jornal
Zero Hora
Coluna semanal, Revista Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 14/07/2013 Edição N° 17491
 
 
 
 
 

sábado, 15 de junho de 2013

DERRAMADA É VOCÊ


 E se eu não me encaixasse em sua nuca de noite? Se eu não beijasse seu rosto quando você dorme dez minutinhos de tolerância? Se eu não ligasse o chuveiro antes para deixar aquecido? Se eu não preparasse seu iogurte? Se eu não levasse você ao trabalho com a rádio que gosta? Se eu não mandasse mensagens por onde ando? Se não saíssemos de mãos dadas com você invertendo o jeito de comprimir a palma para dentro? Se eu não estivesse perto para escutar seus desabafos? Se eu não recolhesse suas roupas sem que percebesse? Se eu não pressentisse seu cansaço e a objetividade da ressaca? Se eu não despertasse sua nudez com as palavras certas? Se eu não amasse sua família e seus amigos? Se eu não fizesse nenhuma provocação? Se você não ficasse muda - respirando lento - em meu ouvido? Se não segurasse minha cabeça por trás? Se não reclamasse de minha barba arranhando seu rosto? Se não dançássemos com o álcool dos olhos? Se eu não procurasse ...mexer em seu pescoço para acalmá-la? Se eu não fosse o voto de minerva de seus vestidos e sapatos? Se não abraçasse quando você está quase chorando para criar uma árvore de ombros?

Se não,
se não,
se eu não existisse, amada, o que você faria?

A saudade explica o amor.

A saudade esclarece o quanto estamos amando.

É um calorão que vem com a simples ideia de perder alguém. A garganta acelera com a ameaça da ausência. É uma falta de ar que forma o suspiro. É uma dificuldade tremenda de dormir separado, como se seu corpo estivesse sempre pela metade. É uma calamidade não apressar as pazes. É uma angústia ver o outro aborrecido.

Você passa a não suportar nem uma pequena incompreensão por muito tempo, e logo escreve e logo telefona e logo pede desculpa.

Você lembra e não acredita de tão perfeito. Só ama quem não acredita naquilo que está vivendo.

Se você não tem noção de quanto se entrega, a saudade mostra.

A saudade é um sofrimento alegre. Você sofre, mas agora acompanhada do motivo de sua saudade.

Derramada é você, apenas não parou para pensar no que sente por mim.

A saudade é parar um minuto.

Nem pare. Tente evitar. Procure fugir do assunto.

Eu sou água, você é fogo. O fogo é mais derramado do que a água.

Recomendo não olhar para baixo. Continue voando com suas labaredas. É melhor não saber.

Você ainda não conhece o tamanho de sua saudade para conhecer o tamanho de seu amor.




 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

SAUDADES

Saudade de quando o teu quando era o meu, de quando teria sido saudade do não-quando para sempre. Acontece que agora percebi: nós não temos andado pela vida rodando as cirandas que jurávamos inventar, nós temos marchado com botas de aço sobre o chão de pétalas das nossas horas.

Tiago Fabris Rendelli

quarta-feira, 5 de junho de 2013

RECORDAÇÃO

"Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado", ele disse, me olhando pelo retrovisor. Fiquei sem reação: tinha pegado o táxi na Nove de Julho, o trânsito estava ruim, levamos meia hora para percorrer a Faria Lima e chegar à rua dos Pinheiros, tudo no mais asséptico silêncio, aí, então, ele me encara pelo espelhinho e, como se fosse a continuação de uma longa conversa, solta essa: "Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado".

Meu espanto, contudo, não durou muito, pois ele logo emendou: "Nunca vou esquecer: 1º de junho de 1988. A gente se conheceu num barzinho, lá em Santos, e dali pra frente nunca ficou um dia sem se falar! Até que cinco anos atrás... Fazer o que, né? Se Deus quis assim...".

Houve um breve silêncio, enquanto ultrapassávamos um caminhão de lixo e consegui encaixar um "Sinto muito". "Obrigado. No começo foi complicado, agora tô me acostumando. Mas sabe que que é mais difícil? Não ter foto dela." "Cê não tem nenhuma?" "Não, tenho foto, sim, eu até fiz um álbum, mas não tem foto dela fazendo as coisas dela, entendeu? Que nem: tem ela no casamento da nossa mais velha, toda arrumada. Mas ela não era daquele jeito, com penteado, com vestido. Sabe o jeito que eu mais lembro dela? De avental. Só que toda vez que tinha almoço lá em casa, festa e alguém aparecia com uma câmera na cozinha, ela tirava correndo o avental, ia arrumar o cabelo, até ficar de um jeito que não era ela. Tenho pensado muito nisso aí, das fotos, falo com os passageiros e tal e descobri que é assim, é do ser humano, mesmo. A pessoa, olha só, a pessoa trabalha todo dia numa firma, vamos dizer, todo dia ela vai lá e nunca tira uma foto da portaria, do bebedor, do banheiro, desses lugares que ela fica o tempo inteiro. Aí, num fim de semana ela vai pra uma praia qualquer, leva a câmera, o celular e tchuf, tchuf, tchuf. Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não? Tá acompanhando? Não tenho uma foto da minha esposa no sofá, assistindo novela, mas tem uma dela no jet ski do meu cunhado, lá na Guarapiranga. Entro aqui na Joaquim?" "Isso."

"Ano passado me deu uma agonia, uma saudade, peguei o álbum, só tinha aqueles retratos de casório, de viagem, do jet ski, sabe o que eu fiz? Fui pra Santos. Sei lá, quis voltar naquele bar." "E aí?!" "Aí que o bar tinha fechado em 94, mas o proprietário, um senhor de idade, ainda morava no imóvel. Eu expliquei a minha história, ele falou: 'Entra'. Foi lá num armário, trouxe uma caixa de sapatos e disse: 'É tudo foto do bar, pode escolher uma, leva de recordação'."

Paramos num farol. Ele tirou a carteira do bolso, pegou a foto e me deu: umas 50 pessoas pelas mesas, mais umas tantas no balcão. "Olha a data aí no cantinho, embaixo." "Primeiro de junho de 1988?" "Pois é. Quando eu peguei essa foto e vi a data, nem acreditei, corri o olho pelas mesas, vendo se achava nós aí no meio, mas não. Todo dia eu olho essa foto e fico danado, pensando: será que a gente ainda vai chegar ou será que a gente já foi embora? Vou morrer com essa dúvida. De qualquer forma, taí o testemunho: foi nesse lugar, nesse dia, tá fazendo 25 anos, hoje. Ali do lado da banca, tá bom pra você?"

@antonioprata

antonio prata
Antonio Prata é escritor. Publicou livros de contos e crônicas, entre eles "Meio Intelectual, Meio de Esquerda" (editora 34). Escreve às quartas na versão impressa de "Cotidiano".

segunda-feira, 6 de maio de 2013

JÁ É AMOR...

Você percebe que gosta quando consegue não pensar em nada quando estão juntos. Quando a vontade de olhar nos olhos parece doer. Você percebe que é carinho quando ficar perto não basta e ficar colado um no outro ainda é pouco. Percebe que é profundo quando a dor do outro te incomoda, quando o choro do outro também te faz sofrer, quando a saudade parece empedrar suas pernas e congelar sua fala. Percebe que é verdadeiro quando os motivos para partir são fortes, mas não o suficiente. E percebe que é o suficiente porque todas as outras coisas do mundo deixam de ter importância. E quando percebe todas estas coisas, nota também que já é amor faz tempo...

 
Camila Heloise

sábado, 4 de maio de 2013

OS VERSOS QUE TE GUARDEI



 Os versos que te guardei
Não carregam bandeiras,
Não exaltam cânticos,
... Não estão nos muros;
Estão na mente, no corpo, no beijo...

Os versos que te guardei
Não estão nos livros,
Não estão nos templos,
Não voam ao vento;
Estão na pele, nos olhos, no cabelo...

Os versos que te guardei
Não confidenciam segredos,
Não afastam seus medos,
Não conjugam seu verbo;
Estão na boca, mordida, pescoço...

Os versos que te guardei
São vida, mesmo em morte;
São morte, mesmo em vida.

Os versos que te guardei
Serão sempre os versos em que te perdi.

 Luiz Luz

sábado, 23 de março de 2013

O JARDIM SIMULTÂNEO



Bem amigos, agora é oficial. os exemplares do meu livro já estão em minhas mãos (na caixa, mas não na faixa rsrs). quem se interessar que se manifeste. agradeço a todos pelo carinho e receptividade que tenho recebido. no mais é isso, espero que gostem e só essa simbiose já terá valido a pena. abraços! 


CONTATOS AQUI: https://www.facebook.com/milton.rezende.96

milton.rezende@yahoo.com.br


quinta-feira, 21 de março de 2013

QUANDO O OUTONO COMEÇA




Meu cabelo diferente. Meu olhar diferente. Minhas mãos imóveis. 
A minha vontade é sonolenta. O meu desejo dorme profundamente. 
Não toco o piano. Nem o violão. Não encosto o medo na coragem. Não chego perto da grade que me cerca. Minha garganta arisca um grito, que sai como sussurro.
O verão foi embora levando o meu sol particular. Minha pele que era úmida resseca e se encolhe com a chegada do frio.
O outono começa enquanto me termino.



Camila Heloise

O QUE PENSAM DE VOCÊ


Quer saber? Pouco importa o que dizem ou o que pensam sobre você, sobre as suas escolhas; sobre os seus sentimentos. Há opiniões espalhadas por todos os lados. Há gente rabiscando as paredes da vida alheia, com aquilo que pensa que sabe, todos os dias. O conhecimento humano é limitado, mas a ignorância não. Há quem desconheça por falta de oportunidade; há quem faça questão de ignorar por conveniência. Há os que dizem sobre o que não sabem. Há os que não sabem o que dizem. Ouça. Filtre. Perdoe e continue: A fé – sob todas as formas e aspectos - é um escudo contra os maldizentes. E a coragem de continuar, um jeito de tomar impulso e aumentar a distância que os separa de você.

Meu Universo Particular por Erica Gaião